O regresso do guerreiro
O povo sempre disse que não se deve julgar um livro pela capa. Um conselho que deve ser levado a sério com o «Guerreiro Roma». Para lá de uma capa idêntica a tantas outras, há uma obra realista, complexa mas absorvente, que mergulha o leitor numa interessante viagem pelo Império Romano.
«O Leão do Sol» (brochado, 448 páginas, 18,90 euros) é o terceiro capítulo da série «Guerreiro de Roma», da autoria de Harry Sidebottom. Se, à partida, a capa se confunde com os inúmeros romances históricos de qualidade literária e histórica duvidosa que enchem as livrarias, um olhar mais atento ajuda a dissipar as dúvidas. É que o autor da série é professor em Oxford e investigador internacional com inúmeros estudos publicados sobre guerra antiga, arte clássica e história cultural do Império Romano. Ou seja, é alguém que sabe do que escreve.
A acção da série decorre no século III d.C., uma época marcada pelo declínio do Império Romano, acossado por inimigos externos e dilacerado por uma grande instabilidade política. O autor confessa que escolheu este período devido aos poucos registos históricos existentes, o que lhe permite preencher as lacunas com as conjecturas que compõem os seus trabalhos académicos. Para os mais interessados, o autor reserva no final de cada livro um anexo com resumos históricos e correspondente bibliografia abordando diversos temas do livro.
No plano literário, Sidebottom não é propriamente um prodígio mas consegue desembaraçar-se bastante bem. A narrativa é envolvente, misturando aspectos militares com intriga política e mistério, e não se limita a adoptar a época histórica como simples cenário. O autor explora pormenores da vivência romana, desde a diferença de estatutos entre as diversas personagens às barreiras linguísticas e culturais que assumem aqui uma importância constante. Nesse aspecto, o caso do protagonista, Marco Clódio Balista, é paradigmático. Ele é o filho de um chefe anglo que se integrou ainda jovem no Império, casando com uma mulher oriunda de uma família de senadores. Habituado aos costumes romanos, não esquece os valores dos seus antepassados bárbaros.
Este terceiro volume (que já agora é o primeiro a adoptar as regras do sinistro acordo ortográfico) vai buscar o título ao rei de Palmira, um reino aliado de Roma mencionado no primeiro capítulo da série, que se vê na inesperada posição de (des)equilibrar um conflito que ameaça dividir o Império. Na calha está já um quarto livro, cuja publicação em inglês (com o título «The Caspian Gates») está prevista para o próximo mês de Julho. O que quer dizer que no próximo ano, provavelmente por esta altura, já teremos em mãos a versão portuguesa de mais uma aventura do «Guerreiro de Roma».
[publicado na edição desta semana do jornal «O Diabo»]
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ResponderEliminarObrigado pela apaixonante crónica, mas se está publicado segundo as normas do (des)acordo ortográfico, de nossa parte, este livro não sairá das estantes das livrarias.
ResponderEliminarSugerimos que a obra seja comprada na língua original, por um preço bastante mais reduzido. Deixámos aqui a seguinte sugestão: http://www.bookdepository.co.uk/search/advanced?searchAuthor=Harry+Sidebottom
Caro NCP,
ResponderEliminarSó reparei que o livro estava escrito segundo as normas do acordo "pornográfico" quando cheguei a casa, depois de o comprar. É uma pena que as editoras comecem a alinhar com esta subversão da língua, o que me deixa num dilema. Se por um lado prefiro apoiar o mercado editorial nacional, não deixo de sentir um certo incómodo em ler, a cada página, "para" em vez de "pára", "janeiro" em vez de "Janeiro", e por aí adiante... Abraço.
Neste caso não há que apoiar quem nos desrespeita!
ResponderEliminarUm abraço forte.
Eu tenho os 2 primeiros livros desta historia do qual´eu sou fã do autor por tudo de bom se têm escrito sobre a sua obra e falta-me comprar este ultimo que é aqui retratado no seu blogue os meus parabens por ter posto online e dar conhecer aos seus leitores e amigos, eu sou um fã da hsitoria Romana de A-B
ResponderEliminarUm abraço