segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
Contra isto não há argumentos
«Cousins», Vampire Weekend.
E, sem saber muito bem como, já há uns valentes postais que não se fala de música neste blogue. Não que não tenha ouvido música ultimamente. Pelo contrário. O problema é que nada do que tenho ouvido de novo me entusiasma por aí além. Incluíndo Julian Casablancas. Mas a situação mudou ontem, quando ouvi pela primeira vez o novo single dos Vampire Weekend.
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domingo, 22 de Novembro de 2009
Partido
A morte de um blogger é sempre um acontecimento estranho. Quando acompanhamos um blogue nunca paramos para pensar que o autor pode desaparecer de um momento para o outro. Já tinha experimentado esta sensação por ocasião da morte da Joana do Semiramis. Ontem, foi o Jorge Ferreira que desapareceu. Não o conhecia para além deste mundo virtual e, ao contrário dos amigos, fui apanhado de surpresa pela notícia. Acompanhava o Jorge Ferreira há alguns anos, através do Tomar Partido, e para além de um apaixonado benfiquista, recordo-o como dono de uma personalidade frontal e uma escrita educada, sem receio das conveniências. Partilhámos ainda a lista de colaboradores da Alameda Digital. Fica a lembrança de um homem livre que partiu demasiado cedo.
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sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
País em ruínas
Na mesma semana em que rebentou a polémica à volta do bizarro projecto da Igreja-caravela do arquitecto Troufa Real, o recomendável Lisboa S.O.S. lançou uma iniciativa para eleger os piores exemplares da arquitectura lisboeta. A apresentação do denominado prémio Valmau é acompanhada de diversas fotografias de uma aberração arquitectónica que aterrou há pouco tempo na praça do Duque de Saldanha e pela qual fui obrigado a passar todos os dias durante os últimos anos. Uma taveirada sem pés nem cabeça plantada numa das mais simbólicas praças da capital. A ideia do prémio Valmau partiu de Gastão Brito e Silva, que mantém o projecto Ruin'Arte, um fascinante blogue dedicado à divulgação de construções em ruínas espalhadas pelo país. Longe das aberrações da arquitectura moderna, o blogue inclui fotografias de moinhos, fábricas, templos ou simples edifícios de habitação, pedaços esquecidos do rico património histórico e arquitectónico nacional. Interessante viagem entre o pior e o melhor da arquitectura portuguesa, num país em ruínas. Em todos os sentidos.
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Memento Audere Semper

Setenta anos após a sua morte, Gabriele d'Annunzio continua a influenciar as novas gerações. A imagem é de uma produção recente da revista do «The New York Times», inspirada no legado daquele a quem chamaram Il comandante. Ao mesmo tempo, o Inconformista.info recorda a tomada de Fiume em 1919 (hoje Rijeka, na Croácia), que se transformou sob a regência de D'Annunzio numa autêntica Zona Autónoma Temporária onde afluiram anarquistas, intelectuais futuristas e veteranos de guerra. Poeta e dramaturgo, herói de guerra aos 51 anos, político temerário, dono de uma personalidade tão excêntrica como electrizante, D'Annunzio é a própria personificação do século XX.
segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
I de independente?
Em Junho, por ocasião do aparecimento do i, escrevi que o Público continuava a ser a melhor escolha para quem pretende manter-se actualizado e capaz de discutir as últimas novidades da semana. Entretanto, muita coisa mudou: não só o Meia-Hora (de longe o melhor gratuito do mercado) desapareceu, como José Manuel Fernandes deixou a direcção do diário da Sonae. Perante esse cenário, decidi dar mais uma hipótese ao i. Confesso que o jornal está melhor, e isso não se deve apenas à oferta, na edição de sexta-feira, das obras de Fernando Pessoa num formato bem simpático. Apesar da superficialidade de muitos textos e do engajamento ideológico de alguns artigos, o jornal está mais interessante e tem mais sumo. Com uma apresentação imbatível e aproveitando o fenómeno de alinhamento do resto da imprensa, o i arrisca-se a conquistar um espaço importante nas bancas de jornais. i agora?
domingo, 15 de Novembro de 2009
À escuta

O postal do dia é da JCD no obrigatório Hole Horror. Muito me custa não ter ninguém com quem discutir The Wire. Mas afinal não sou o único a lembrar-me da série por estes dias.
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sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
ABC da Boa Música (B)
«23», Blonde Redhead.
Se no primeiro capítulo deste abecedário, a escolha era quase indiscutível (os Arcade Fire são talvez a banda mais importante da década), ao chegar à letra bê as coisas complicaram-se. Entre os Bloc Party (do incontornável «Silent Alarm»), Beirut ou até o génio Beck, era difícil eleger alguém. Por fim, a escolha recaíu nos Blonde Redhead, uma das bandas que mais me surpreendeu num concerto. Formado por uma japonesa e dois gémeos italianos, este invulgar trio que só poderia ter nascido em Nova Iorque faz das suas actuações experiências quase sobrenaturais. Tive oportunidade de assistir à primeira e única presença da banda em Portugal, por ocasião do concerto dos Interpol no Coliseu de Lisboa, e mesmo desconhecendo a discografia fiquei literalmente siderado. Vivendo a música com uma intensidade e dedicação admirável, os Blonde Redhead criam em palco um ambiente que não deixa ninguém indiferente. Uma actuação que polarizou a minha atenção do início ao fim.
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segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
Tudo normal
Primeiro, uma investigação caseira descobriu que o currículo do primeiro-ministro era falso. Ao nebuloso percurso académico do alegado engenheiro seguiu-se uma trapalhada em Alcochete, envolvendo a construção de um mega centro comercial numa zona que deveria ser protegida. Apesar dos vídeos que incluíam o nome do primeiro-ministro, tudo não passou de uma campanha negra. Agora, na tentativa de desmembramento de uma rede de corrupção, o nome do primeiro-ministro vem novamente à baila, em conversas que a PJ considerou criminalmente relevantes. O resultado? Tudo normal, como sempre.
domingo, 8 de Novembro de 2009
Não arrastes o meu caixão!
O blogue Independanças chama-lhe um tango de tasca portuguesa, e é a melhor definição que já li até agora. Estou a falar da nova música de Samuel Úria, lançada em jeito de antecipação do novo disco. Muito bom, até para alguém que tem andado avesso a novas experiências musicais.
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terça-feira, 3 de Novembro de 2009
Contracultura
«In My Eyes», Minor Threat.
Embora alguns possam conhecer este tema graças à versão popularizada pelos Rage Against The Machine (álbum «Renegades»), o original é de facto dos Minor Threat, o agrupamento norte-americano que deu origem à subcultura «Straight Edge». E passados mais de 25 anos sobre o fim da banda, o fenómeno tem reconquistado expressão um pouco por toda a parte. Há poucos dias, o Público publicou na sua página um vídeo sobre o «Straight Edge» em Portugal, ao qual se seguiu uma interessante retrospectiva sobre a origem do movimento, editada no Inconformista.info. Para quem não sabe, o «Straight Edge» é uma filosofia de vida associada ao punk hardcore caracterizada pela abstinência de álcool, tabaco e drogas, e que em certos casos é acompanhada de uma dieta vegetariana. Apesar das aparentes contradições, vale a pena conhecer um pouco melhor esta autêntica contracultura.
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segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Ainda há meninas às direitas

Se em Portugal ser de Direita é quase uma mal-formação que se deve esconder a todo o custo, há países em que as pessoas não receiam afirmar as suas convicções. E se em Itália o governo de Berlusconi tem incontáveis pontos negativos, há pelo menos um em que é necessário reconhecer coragem e mérito. Falo de Giorgia Meloni, a mais jovem ministra da República italiana, responsável pela pasta da Juventude e muito mais do que uma simples cara bonita.
Jornalista de profissão, esta menina de apenas 32 anos de idade está envolvida no movimento estudantil desde os 15. Oriunda das fileiras da Azione Giovani, está longe do estereótipo da direitinha politicamente correcta. Em 2007 lançou uma campanha de boicote à Yahoo, após a empresa ter transmitido ao governo chinês informações pessoais de dissidentes que usavam os seus serviços. No mesmo ano, lançou uma campanha de solidariedade para com os povos do Tibete e da Birmânia, cujos direitos são constantemente atropelados perante o silêncio da opinião pública. As suas aparições públicas sublinham as suas posições: já este ano, Giorgia esteve presente na República Checa numa homenagem a Jan Palach, o estudante que se imolou em 1969 como protesto contra a invasão soviética do seu país. Da mesma forma, marcou presença no último aniversário do massacre de Acca Larenzia, ocorrido em 1978, em que três jovens activistas do Movimento Sociale Italiano foram assassinados por um comando de extrema-esquerda.
Se em Portugal muitos (todos?) políticos ditos de direita passam a vida a construir discursos ambíguos em que sublinham pontos de contacto com a esquerda moderna, Giorgia Meloni é um exemplo de afirmação inequívoca de ideiais próprios. Questionada numa entrevista sobre o consumo de drogas entre os jovens, respondeu sem hesitar que «os verdadeiros rebeldes são os que não se drogam».
domingo, 1 de Novembro de 2009
Calou-se o lobo

Não pude esconder a minha surpresa quando tomei conhecimento da inesperada morte de António Sérgio, um dos maiores vultos da Rádio portuguesa. Possuidor de uma impressionante cultura musical e dono de uma voz intensa e carismática, o lobo influenciou milhares de portugueses ao longo de quatro décadas de carreira. Sempre atento ao que de melhor se fazia no mundo da música (principalmente em Portugal), António Sérgio emitia actualmente através da Radar, com o programa diário «Viriato 25». Num dia triste como este, vale a pena recordar o que Miguel Esteves Cardoso escreveu sobre o Bicho da Rádio.
terça-feira, 27 de Outubro de 2009
segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
Pequenos prazeres
«Next Time Around», Little Joy.
A melhor notícia da semana passada foi sem dúvida o anúncio da vinda a Portugal dos Little Joy (dos quais falei em Abril), enquadrada no festival Super Bock em Stock. A segunda edição deste evento — que faz da Avenida da Liberdade, em Lisboa, o seu recinto — está agendada para os próximos dias 4 e 5 de Dezembro. A promotora confirmou, para além do referido trio, a presença de Ebony Bones e The Legendary Tigerman, entre outros. Ocasião para ver (ou rever) o primeiro single da banda que juntou Rodrigo Amarante (antigo elemento dos brasileiros Los Hermanos) a Fabrizio Moretti (conhecido baterista dos The Strokes). No fundo, este concerto é um regresso à casa de partida de uma banda que tomou forma à beira Tejo.
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Adivinha quem voltou!

A imagem — irónica e provocadora, como não podia deixar de ser — marca o regresso do blogue Inconformista.info.
quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
Oscar Mike

Ao ver «The Hurt Locker» é impossível não lembrar «Generation Kill», uma mini-série de sete episódios produzida pela HBO que é simplesmente o melhor documento cinematográfico acerca da invasão do Iraque pelas tropas norte-americanas em 2003. O argumento baseia-se no testemunho de um repórter da revista Rolling Stone, que acompanhou uma unidade de reconhecimento dos Marines ao longo da ofensiva relâmpago que levaria à tomada de Bagdade. O espectador é aqui tão inexperiente como o repórter e demora alguns episódios até conseguir descodificar o que se passa no ecrã, já que a série utiliza livremente o mais complexo jargão militar e as comunicações via rádio. Ao mesmo tempo que acompanhamos a diversidade de experiências de uma unidade formada por simples jovens ocidentais oriundos das mais diversas paragens (há o ex-delinquente latino, o soldado metrossexual, o redneck engraçadinho), vamos tomando conhecimento da má preparação que envolveu a invasão (desde problemas de comunicação a clamorosas falhas estratégicas, passando pela incompetência de muitos elementos). Ao longo dos episódios, avoluma-se a sensação de arrogância com que a América (até aí sempre invencível desde o Vietname) encarou a missão, desconhecendo em absoluto a história da região e as consequências da sua invasão. Uma mini-série obrigatória.
PS: Em tempos li um excelente postal de Miguel Freitas da Costa sobre «Generation Kill», mas infelizmente não consegui encontrá-lo.
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Séries
Pela igualdade de oportunidades
A mais recentes promessa (ou será esta uma certeza?) comunista no Parlamento dá pelo nome de Rita Rato e afirmou numa entrevista nunca ter ouvido falar de Gulags. Ainda bem. Fossem outros os campos e esta menina já teria à perna um mandado de captura internacional.
ABC da Boa Música (A)
«No Cars Go», Arcade Fire (ao vivo em Glastonbury, 2007).
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